• 14 junho

    Febre voltou a ser sintoma comum nessa alta de covid? Entenda

    Como esperado depois do relaxamento de medidas sanitárias e da onda de pessoas doentes que o Brasil alcançou no início do ano, o país vive agora uma nova alta nos casos de infecção pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2).

    Em boletim divulgado nesta semana, a OMS (Organização Mundial da Saúde) registrou o Brasil como o quarto país com maior número de casos de covid-19 no mundo entre as semanas de 30 de maio a 5 de junho.

    Em comparação com a semana epidemiológica anterior, o aumento foi de 36%. O país ficou atrás de Estados Unidos, China e Austrália, respectivamente em primeiro, segundo e terceiro lugares na lista de países com mais casos registrados no período.

    A nova onda ainda é resultado da variante ômicron, que entrou no país no fim do ano passado e, assim como nos outros lugares do mundo por onde passou, se tornou dominante em pouquíssimo tempo com uma explosão de casos provocada, em parte, pela sua maior transmissibilidade.

    No entanto, cientistas e especialistas da área da saúde já detectaram algumas subvariantes da ômicron circulando por aí. Com isso, surgiu a dúvida: será que os sintomas da nova onda estão diferentes?

    A febre voltou a ser um sintoma comum?

    Uma das características da ômicron é provocar uma infecção mais branda e que, no geral, costuma não provocar febre —apenas sintomas comuns de um resfriado como nariz escorrendo, dor de garganta e dor de cabeça.

    Algumas pessoas, no entanto, têm relatado que a febre, até em temperaturas mais altas do que antes, voltou a ser constante nos casos que estão surgindo nessa nova onda da doença.

    Mas isso não procede quando observamos a população em geral. "A febre mais alta não faz parte do quadro clínico causado pela ômicron", afirma o infectologista Alexandre Naime Barbosa, vice-presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), professor e pesquisador da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo).

    "O que observamos e os trabalhos científicos têm mostrado é justamente o contrário, que a ômicron tem sintomas mais amenos e muitas vezes, até sem febre", afirma.

    Mas, por que então alguns indivíduos estão apresentando febre mais alta do que a esperada? Uma hipótese levantada pela médica Raquel Muarrek, infectologista do Hospital São Luiz (SP) e da MIP (Medicina Interna Personalizada) é a associação da covid-19 com outras infecções comuns nessa época do ano.

    "Infecções como amigdalite, faringite e sinusite são comuns no inverno no Brasil e podem ser causadas por bactérias", explica. "No caso de uma associação de infecções, o que é algo que temos observado acontecer atualmente, a febre realmente pode ser mais alta", diz.

    Vacinação continua sendo essencial

    Saber que os quadros causados pela ômicron são mais leves é realmente um alívio. Mas não dá para relaxar: isso é em grande parte um resultado da boa adesão à vacinação não apenas no Brasil como no resto do mundo.

    No entanto, é preciso que essa adesão continue alta para que possamos impedir que novas ondas se tornem mais graves.

    "A alta de casos agora não é uma questão sazonal, por causa do tempo mais frio, como acontece com outras doenças respiratórias", afirma Renato Kfouri, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações). "Ela é resultado da perda natural de imunidade que tivemos após o pico de janeiro, tanto entre vacinados como não vacinados", afirma.

    Atenção: isso não significa que a vacina não é eficaz. Ela continua, sim, protegendo todos os indivíduos que completaram o ciclo vacinal de três doses das formas graves da doença.

    No entanto, é esperado que, sem tanto contato com o vírus, o corpo deixe de ser tão ágil na produção de anticorpos e acabe ficando mais vulnerável à contaminação.

    Esse processo é particularmente presente em pessoas mais velhas. Por isso mesmo, a recomendação do Ministério da Saúde é que as pessoas acima de 50 anos tomem a quarta dose. "Ela é um reforço para que o corpo recupere o efeito protetor que tinha com as três doses", afirma Kfouri.

    Ou seja: com ou sem febre, é fundamental completar o esquema vacinal para manter-se protegido e ainda evitar que as próximas ondas sejam mais graves e mais intensas.

    Fonte: UOL-VIVA BEM

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